Por Paula Maia**
Ademir da Guia, um dos ícones da história do Palmeiras, relatou com orgulho a lembrança de um dia ter participado da equipe Sociedade Esportiva Palmeiras, que pela primeira vez na história do futebol brasileiro, foi convidada a representar a Seleção Brasileira em um amistoso.
"Até hoje fico pensando naquele jogo. Foi uma homenagem feita pela CBD* ao nosso grande time, a Academia do Palmeiras. Os mais jovens precisam sempre saber disso e ter orgulho desse jogo. O Palmeiras um dia foi Brasil, e isso ninguém mais vai apagar".
Na ocasião, o Brasil enfrentou a seleção titular do Uruguai em um amistoso organizado para a inauguração do Estádio Magalhães Pinto, o
Mineirão, no dia 7 de setembro de 1965.
O Palmeiras se encontrava em evidência, mesmo diante do Santos de Pelé e do Botafogo de Garrincha, e passou a ser conhecido pela imprensa e pela população por “Academia de Futebol” como reconhecimento a melhor equipe do país na época. A primazia dentro de campo convencia e encantava a todos.
Tal superioridade rendeu ao time a honra de compor a delegação brasileira desde os jogadores e técnico até os massagistas.
Do outro lado do campo da Seleção, o Uruguai vinha invicto do torneio que o classificou para o Mundial de 66 e contava com craques como Manicera, Cincunegui, Varela, Douksas e Esparro no elenco.
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| Palmeiras representando Seleção no Mineirão |
Dentro do Mineirão, corajosa obra vanguardista e imponente e de capacidade superior a 100 mil espectadores, o Palmeiras (Seleção Brasileira) entrou em campo com Valdir Joaquim de Moraes no gol, Djalma Santos na lateral direita, Djalma Dias e o capitaão Waldemar Carabina na zaga e Ferrari na lateral esquerda. O meio-campo era composto por Dudu, Ademir da Guia, Julinho e Rinaldo. Tupãzinho e Servilio serviam no ataque.
O técnico argentino Filpo Nuñes, o “
bandoleon”, tornou-se o único treinador estrangeiro a dirigir a Seleção brasileira.
Com um futebol ascendente o Palmeiras (Seleção Brasileira) derrotou o Uruguai por 3 a 0 com gols de Rinaldo, Tupãzinho e Germano. O técnico Eunápio de Queiroz ainda deixou de marcar 2 pênaltis a favor do Palmeiras durante a partida.
Com a vitória, a taça envolvida na disputa, teve seus direitos concedidos a CBD.
Vinte e três anos depois, descobriu-se que a CBD não havia requisitado o troféu e que ele permanecia nas dependências do Mineirão. Com o consentimento de todas as partes envolvidas ficou decidido que o Palmeiras deveria honrosamente ficar com o mesmo.
Desde 1988, o troféu pode ser admirado na Sala de Troféus da Sociedade Esportiva Palmeiras.
*Atual CBF.
**Informações do site oficial do Palmeiras e Bdf Brasil